Wednesday, June 01, 2011

Avô Lobo o maior Mestre da Floresta





“O Avô Lobo é o Totem que guarda a Direção Sul. Conectar-se com ele é incorporar as energias do Mestre que busca constantemente o Conhecimento e a Sabedoria, lealdade, espiritualidade, além de assumir uma consciência muito forte sobre a importância da coesão do grupo e da família. Seu momento de maior poder reside no ciclo da Lua Cheia.

Este animal é capaz de rastrear as causas das enfermidades e devorar as entidades malignas nos corpos do paciente, velando por sua recuperação. Muitos Xamãs invocam este Totem nas cerimônias e rituais de cura por sua força e poder. Na Grande Nação das Estrelas, ele é representado pela Estrela de Sírius, considerada a morada de nossos ancestrais. Os sentidos do Lobo, principalmente o faro, são muito apurados. Sua audição, visão e velocidade o colocam em vantagem em relação a outros animais, inclusive suas presas. Este Guardião traz a energia da nutrição da família e do grupo, tanto física quanto emocional.

Em seu habitat natural observa-se que os Lobos são dóceis, amáveis e sociáveis. Fiéis, escolhem um parceiro para toda a vida, embora nunca desistam de sua individualidade, preservando suas características dentro e fora do grupo. São animais fortes e com grande capacidade de adaptação a novos ambientes e situações. Sentado no Sul, o Avô Lobo nos conecta com a energia da criança e com a necessidade de incluir a brincadeira e a alegria em nossa lida diária. Ele nos relembra a inocência original da confiança e da entrega.

Acolher a nossa criança interna, acalentá-la, escutando o que ela tem a dizer é uma forma de nos curarmos de muitos males. Quando incluímos a alegria e a brincadeira em nossa vida, o aprendizado e cumprimento das tarefas fica mais leve e mais fácil de suportar. O Lobo nos ensina a fazer isso, o seu arquétipo é bálsamo para o coração ferido, principalmente em relações familiares conflitadas e dolorosas. O Guardião do Sul remove as couraças da Alma para que possamos voltar a confiar e amar.”

Derval Gramacho e Victória Gramacho

Os Lobos são bons nos relacionamentos. Qualquer um que os tenha observado sabe como são profundos seus vínculos. É freqüente que os parceiros sejam por toda a vida. Muito embora entrem em conflito, muito embora exista a discórdia, os vínculos entre eles permitem que ultrapassem invernos rigorosos, primaveras abundantes, longas caminhadas, novas ninhadas, antigos predadores, danças tribais e cantos em coro. A vida instintiva dos Lobos inclui a lealdade e vínculos permanentes de confiança e devoção. Poderíamos concluir que a integridade dos seus relacionamentos advém da sua submissão à antiga natureza da vida – morte – vida.

Os Lobos não consideram que os altos e baixos da vida, quer de energia, de poder, de alimento, quer de oportunidade, sejam espantosos ou punitivos. Os picos e os vales simplesmente existem, e os Lobos passeiam por eles com a máxima eficácia e facilidade possível. A natureza instintiva tem a capacidade miraculosa de sobreviver a cada dádiva positiva, a cada conseqüência negativa, e ainda manter o relacionamento com o Alma e com o outro. Entre os Lobos, os ciclos da vida – morte – vida da natureza e do destino são encarados com elegância e persistência para ficar junto do outro e viver por muito tempo e o melhor possível. O jeito como os Lobos batem nos corpos uns dos outros quando correm e brincam, os mais velhos a seu modo, os jovens ao deles, os magros, os gordos, os de pernas longas, os de rabo cortado, os de orelhas caídas, os de membros quebrados que ficaram tortos ao sarar. Todos têm sua própria configuração corporal, sua própria força e sua própria beleza. Vivem e brincam de acordo com o que são, quem são e como são. Eles não tentam ser o que não são. Os Lobos levam vidas imensamente criativas. Eles fazem dezenas de opções todos os dias, decidem de um modo ou de outro, avaliam distâncias, concentram-se na presa, calculam as suas chances, aproveitam oportunidades, reagem vigorosamente para realizar suas metas. Suas capacidades e encontrar o que está oculto, de aglutinar intenções, de focalizar a atenção no resultado desejado e de agir em seu próprio benefício para atingi-lo são as exatas características necessárias para a realização criativa nos seres humanos.

Têm a capacidade de agir como sombra, agir como sombra significa ter um toque tão suave, um passo tão leve, que torne possível uma movimentação livre pela floresta, observando sem ser observado. O Lobo segue como sombra qualquer um ou qualquer coisa que passe pelo seu território. É sua maneira de colher informações. Os Lobos conseguem deslocar-se com a máxima delicadeza. Primeiro, eles recuam e seguem como sombra a criatura que lhes desperta a curiosidade. Depois, de repente, aparecem diante da criatura, espiando com um olho dourado e metade da cabeça por trás de uma árvore. Subitamente, o Lobo dá a volta e desaparece num borrão de coleira branca e rabo empinado, só para voltar a surgir às costas do desconhecido.

Paciência: isso é algo que os Lobos conhecem inteiramente. Quando um intruso aparece, os Lobos podem rosnar, latir ou até mesmo mordê-lo, mas eles também podem, a uma boa distância, recuar para o interior do grupo, sentando-se todos juntos como uma família. As costelas se enchem e se esvaziam, sobem e descem. Eles estão tomando rumo, estão se reposionando, voltando ao centro de si mesmos e resolvendo o que é importante e o que fazer em seguida. É interessante salientar que, entre os Lobos, não importa o quanto s esteja doente, não importa o quanto s esteja acuado, o quanto esteja só ou enfraquecido, o Lobo persiste. Ele corre mesmo com a perna quebrada. Ele se aproxima dos outros à procura da proteção da matilha. Ele se esforça ao máximo para superar na espera, na astúcia, na velocidade ou na duração da vida aquilo que o esteja atormentando. Ele dedicará todas as suas forças a respirar bem. Ele se arrastará, se necessário, igual ao patinho, de um lugar para o outro até encontrar o lugar certo, um lugar benéfico, em que possa se recuperar.

O ensino da resistência ocorre em toda natureza. A planta das patas dos filhotes de Lobo são macias como barro molhado quando eles nascem. São só os passeios, as perambulações, as migrações nas quais seus pais os levam que as enrijecem. Então, eles podem escalar e saltar sobre cascalhos cortantes, sobre urtigas, até mesmo sobre vidro quebrado, sem se machucar. Presenciei mães Lobas mergulhando seus filhotes nos córregos mais frios que se possam imaginar, correndo até que o filhote tenha as pernas tão cansadas que não consiga mais acompanha-la e depois correndo mais um pouco. Elas estão fortalecendo a pequenina criatura, nela investindo força e rápida capacidade de recuperação.

Na verdade, os Lobos são animais sociais dedicados. A matilha como um todo é organizada instintivamente de modo que os Lobos saudáveis mantem apenas o que for necessário para a sobrevivência. É somente quando algum trauma atinge um Lobo isolado ou a matilha como um todo que esse padrão normal se relaxa ou se altera. Existem duas circunstâncias nas quais o Lobo mata desenfreadamante. Nos dois casos, ele não etá bem. Ele pode matar indiscrinadamente quando está doente de raiva ou cinomose. Ele pode, também, matar indiscrinadamente após um período excessivo de fome. Entre os Lobos, a fome ocorre quando há fortes nevascas e é impossível chegar à caça. O cervo e o caribu funcionam como limpa-neves. Os Lobos seguem as trilhas que eles abrem na neve alta. No entanto, quando o cervo fica preso por nevascas pesadas, essa limpeza pára, e os Lobos também ficam sem ter rastros para seguir. A conseqüência é a fome. Para os Lobos, a época mais propícia aos perigos da fome é o inverno.

Para o Lobo, a fome geralmente termina na primavera, quando a neve começa a derreter. Depois de passar fome, a matilha pode se entregar a uma matança desenfreada. Seus integrantes não comem a maior parte da caça morta, nem a escondem. Eles simplesmente a abandonam. Matam muito mais do jamais conseguiriam comer, muito mais do que jamais precisariam. Entre os Lobos, quando a mãe deixa os filhotes para ir caçar, os pequenos tentam acompanhá-la para fora da toca, pela trillha abaixo. A mãe rosna para eles, investe contra eles e apavora os filhotes até que eles voltem atabalhoadamente para dentro da toca. A mãe sabe que os filhotes ainda não têm condição de pesar e avaliar outras criaturas. Eles não sabem quem é um predador e quem não é. Com o tempo, ela irá ensiná-los, com rigidez e eficácia. Os ensinamentos básicos a respeito de predadores que a mãe Loba dá aos filhotes como, por exemplo, se for ameaçador e maior do que você, fuja; se for mais fraco, pense no que quer fazer; se estiver doente, deixe-o em paz; se tiver espinhos, veneno, presas ou garras aguçadas, recue e vá na direção oposta; se tiver um cheiro bom, mas estiver cercado de garras de ferro, passe direto; se for um homem branco com uma arma corra o mais rápido que puder, despiste, esconda-se, fuja dele.

Entre os Lobos, quando a mãe Loba amamenta sua ninhada, ela e eles passam muito tempo na ociosidade. Todos ficam jogados uns sobre os outros numa grande pilha de filhotes. O mundo exterior e o mundo dos desafios estão muito distantes. No entanto, quando a mãe Loba afinal ensina os filhotes a caçar e a procurar alimento, ela lhes mostra os dentes a maior parte do tempo; ela os morde exigindo que eles não desitam; ela os empurra se eles não se dispõem a fazer o que ela quer. Os Lobos nunca são mais engraçados do que quando perderam a pista e fazem de tudo para recuperá-la. Eles saltam no ar, correm em círculo, escavam o chão com o focinho, arranham o chão, correm adiante, voltam e ficam parados como estátuas. A impressão é que enlouqueceram. Mas o que eles estão realmente fazendo é recolhendo todos os indícios que podem encontrar. Estão captando esses indícios com mordidas noa ar. Estão enchendo os pulmões com os cheiros do nível do chão e do nível das espáduas. Eles provam o ar para ver quem passou ali recentemente, com as orelhas girando como antenas parabólicas, captando transmissões de muito longe. Uma vez que eles tenham todos esses indícios em ordem, eles sabem como prosseguir.

Entre os Lobos não existe o dilema de ir ou ficar, porque eles trabalham, dão crias, descansam e perambulam em ciclos. As Lobas fazem parte de um grupo que divide o trabalho e os cuidados enquanto outros membros tiram uma folga. É uma boa maneira de viver. É um modo de vida que tem toda a integridade do feminino selvagem.

Clarissa Pinkola Estes – PhD, analista junguiana, doutora em estudos multiculturais e psicologia clínica pelo The Union Institute.

Segundo a ONG International Wolf Center, entre 1870 e 1877, o governo americano declarou guerra aos Lobos, e quem matasse um Lobo recebia 5dólares de recompensa. Foram mortos 100 mil Lobos por ano nos Estados Unidos nessa época. No Estado de Misesota, restaram apenas 50 Lobos. No iníco do século 19, os Lobos foram mortos ao milhares, foram envenenados e até mortos por metralhadoras de caçadores atirando de aviões. No estado de Wyoming, em 1913, quem libertasse um Lobo de alguma armadilha era multado em 300 dólares. Assim o governo amaricano praticamente exterminou os Lobos do território norte-americano. Ainda hoje, os Lobos lutam para sobreviver nas poucas áreas naturais que restam e fogem da mira dos caçadores.

Entretanto, não há um registro de um humano sequer morto por um Lobo.

E quando eventualmente ataca o gado, para não morrer de fome, é porque o homem branco invadiu o seu território e extinguiu sua caça.

Texto: http://wakanwoodtltl.blogspot.com